A partir do Evangelho deste domingo (23/08), Leão XIV propõe um exercício de discernimento aos fiéis sobre o caminho da fé, válido tanto para o percurso pessoal, da Igreja e para as escolhas pastorais: “para mim, quem é realmente Jesus?”. Papa alerta para não nos contentarmos com “lugares-comuns” sobre a fé cristã, mas experimentar novas práticas, perguntando com frequência: “O que me pede hoje o seu Evangelho? Que passos e que escolhas deveria tomar?”.
O Papa Leão XIV, após voltar da jornada intensa deste sábado (22/08) de visita pastoral ao norte da Itália, quando cumpriu agenda na República de San Marino e Rimini, rezou a oração mariana do Angelus com os peregrinos presentes na Praça São Pedro. Ao refletir o Evangelho (Mt 16, 13-20) deste domingo (23/08), propôs inclusive um exercício de discernimento aos fiéis sobre o caminho da fé: “para mim, quem é realmente Jesus?”. A pergunta, que foi dirigida diretamente aos discípulos, é retomada pelo Pontífice e orientada “para cada um de nós”, como “um passo fundamental para os discípulos de todos os tempos”, permitindo que a nossa fé seja renovada continuamente:
“A fé não nos é dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos constantemente redescobrir o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas da nossa vida, para que sejam coerentes com o que professamos, vencendo a tentação de pensar que já sabemos tudo e de transformar a fé num costume.”
Essa pergunta, quem é Jesus para mim e qual o significado da sua presença na minha vida, continua o Papa, é colocada diariamente na nossa vida através da oração e ao meditar o Evangelho, “mas também quando nos deparamos com as feridas e as necessidades dos irmãos, ou nas relações e situações que mais interpelam a nossa consciência”. É uma oportunidade, refletiu Leão XIV, para avaliar se Jesus “é apenas uma grande figura da história que disse e fez coisas importantes ou se é o Cristo de Deus”, enviado para transformar a nossa vida.
Como manter uma relação autêntica com Cristo
Ao final do Angelus, antes de invocar Nossa Senhora para ajudar a nos guiar sempre no caminho da fé, o Papa alertou para “não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas”, mas para nos “mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo”. Leão XIV orientou como fazer isso, começando a não nos contentarmos com os “lugares-comuns” sobre a fé cristã, com o “ouvimos dizer” durante a vida, “talvez até com boas intenções”, mas de experimentar novas práticas.
“Jesus nos chama a uma resposta pessoal, a conhecê-Lo de perto, a nos deixarmos escrutinar a partir da amizade com Ele, em um encontro sempre novo que pode nos exigir percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes das que imaginávamos. Isso é válido tanto para o nosso percurso pessoal, como para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos. É importante, pelo contrário, nos perguntarmos frequentemente: para mim, quem é o Senhor? Conheço-O realmente? O que me pede hoje o seu Evangelho? Que passos e que escolhas deveria tomar?”
Andressa Collet – Vatican News
Imagem: (@Vatican Media)