“Diante dessas tendências inquietantes, a nossa resposta não pode ser outra senão a de trilhar com ainda maior convicção o caminho do Evangelho (…) que ensina e exige atenção aos mais fracos, perdão, comunhão e solidariedade.”
Os jovens e a janela para o infinito
Na Basílica, Leão XIV venera as relíquias de San Marino, em um momento de oração, e pede à comunidade eclesial local, citando a carta encíclica Magnifica humanitas, cada um de acordo com seu papel, o compromisso diário de “pequenas e tenazes fidelidades”. Ele se dirige “antes de tudo” aos jovens, citando as palavras proféticas e poéticas do Papa Bento XVI, proferidas em 2011 justamente em San Marino, que os convidavam a “manter aberta a janela para o infinito”.
“Sigam com o olhar da alma os caminhos traçados em vocês pelos grandes anseios de beleza, de bondade e de vida que carregam no coração. Se observarem atentamente os percursos e ouvirem a voz deles, eles os levarão ao alto, ao encontro com Deus, lá onde Ele os busca e os espera.”
Os jovens devem, antes de tudo, compreender qual é o chamado que Deus lhes dirige e, em seguida, abraçar “com entusiasmo” sua missão no mundo. Sem medo de fazer “escolhas exigentes, como o matrimônio, a consagração, o ministério ordenado, a vida profissional, o engajamento social e político”. O Papa os exorta a “deixarem-se envolver” em projetos de caridade e justiça, contribuindo assim – como reza o lema escolhido para sua visita à República de San Marino – para dar “um testemunho de paz que fala ao mundo”.
Em seguida, o agradecimento aos sacerdotes, catequistas e a todos os educadores da diocese, fundada há 18 séculos pelos santos Marino e Leão com base nos “princípios cristãos de liberdade, de respeito mútuo e de comunhão”, valores — constata o Pontífice — que a comunidade eclesial e civil continua a levar adiante até hoje “com o mesmo entusiasmo e com a mesma fidelidade”. “É um trabalho discreto, mas muito importante” aquele do qual se dedica ao “crescimento humano e cristão das crianças”. Esse serviço é “humilde e precioso”, pois apoia os pais na missão de educar os filhos na fé: a família, ressalta o Bispo de Roma, é precisamente o seio natural onde “se aprende e se respira diariamente o Evangelho”.
“Por isso, uma pastoral sábia se empenhará em alimentar uma forte sinergia formativa entre famílias e comunidades eclesiais, um pacto educativo, para que os pais se sintam envolvidos, redescubram eles mesmos a fé de maneira nova e tenham a alegria de transmitir aos filhos os valores cristãos dos quais são depositários.”
Do ponto de vista do conteúdo, os “caminhos de crescimento” promovidos por sacerdotes e catequistas devem se concentrar, ressalta Leão XIV, antes de tudo na “beleza e no prazer da vida batismal”, de modo a fortalecer “nas comunidades os caminhos de santidade” e fazer amadurecer a consciência da “própria dignidade profética, sacerdotal e real”. Anunciar o Evangelho – “caminho de liberdade para os homens e as mulheres de todos os tempos” – e ajudar as pessoas que encontramos a encontrar o Deus feito homem é o “maior dom que podemos oferecer”.
“Nessa perspectiva, exercemos a caridade em todas as suas formas, sem economizar, mantendo, porém, sempre no coração e bem presente o bem último e integral das pessoas a quem oferecemos nosso apoio.”
Justamente o “apoio mútuo” e a “proximidade” dedicados às “pequenas comunidades” nas “regiões mais remotas deste território”, que enfrentam o “despovoamento” e a “falta de serviços”, têm grande importância, ressalta ainda o Papa. Esses testemunhos de proximidade são como “pequenas chamas” das quais sempre se pode recorrer para reacender “o fogo dos valores sólidos”, que mantêm vivo o calor daquela magnífica humanitas à qual é “necessário aspirar”, para vencer o “individualismo”, a “cultura metropolitana e consumista” e o “bairrismo desconfiado e que divide”. Um compromisso diário, acrescenta o Pontífice, que dá novo fôlego “às nossas esperanças de fraternidade e de paz”.
Confiando a realidade eclesial de San Marino à intercessão dos santos Marino e Leão e garantindo um lugar em suas orações pessoais, o Papa recomenda, por fim, a atenção ao valor da “comunhão”: a ser cultivada entre as paróquias, entre os pastores e os fiéis, e entre “os diversos carismas e ministérios”, a fim de dar sempre testemunho de unidade.
Ao sair da Basílica, o Papa faz uma pausa para reiterar sua mensagem aos jovens:
Reconheçam em vocês mesmos o valor da vida, o valor da sua vida, que já foi criado por Deus, amados por Deus, e a sua vida tem muito valor: para nós, para a Igreja, para a sua família, para o mundo inteiro. Acreditem no que Deus criou, pois todos vocês são filhos e filhas de Deus, e Deus os ama. E viver com esse sentimento de amor em seus corações lhes dará tudo o que precisam ao longo de toda a vida. Sejam generosos, estejam sempre abertos ao serviço aos outros, procurem construir amizades autênticas. É na amizade que podemos construir comunidades.
Em seguida, o Papa destaca a compatibilidade dos princípios nos quais se baseia a República de San Marino com a mensagem de liberdade do Evangelho.
Aqui em San Marino vocês têm um lema tão bonito, uma única palavra: “Libertas”. Certamente já ouviram ela muitas vezes. A autêntica liberdade só a encontramos em Jesus Cristo, a encontramos na verdade: Jesus que veio, veio para nos dar vida, veio para nos ajudar a reconhecer a verdade em um mundo tantas vezes cheio de mentiras, cheio de enganos.
Daniele Piccini – Vatican News
Imagem: Papa Leão XIV beija o busto relicário de San Marino (@Vatican Media)