Papa: não desistam, não parem de sonhar com um mundo melhor

Imagem: Papa com a delegação do Grupo DIALOP (Vatican Media)

O Papa Francisco recebeu na manhã desta quarta-feira, antes da audiência geral na Sala Paulo VI, representantes da DIALOP, que há muitos anos estão empenhados em promover o bem comum por meio do diálogo entre socialistas, marxistas e cristãos.

Na sua saudação aos representantes da DIALOP, presentes no encontro na manhã desta quarta-feira, o Santo Padre recordou um escritor latino-americano que “disse que os homens têm dois olhos, mas um de carne e outro de vidro. Com o primeiro, eles veem o que olham, com o outro, o que sonham.

Não percam a capacidade de sonhar!

Francisco então salientou que “hoje, em um mundo dividido por guerras e polarizações, corremos o risco de perder a capacidade de sonhar”. Os argentinos, dizem: “no te arrugues”, uma expressão que significa “não recue”.

“E este é o convite que faço a vocês também – salientou o Papa: não recuem, não desistam, não parem de sonhar com um mundo melhor. Pois é na imaginação que a inteligência, a intuição, a experiência e a memória histórica se unem para criar, aventurar-se e arriscar”.

Quantas vezes, ao longo dos séculos, continuou Francisco: grandes sonhos de liberdade e igualdade, de dignidade e fraternidade, um espelho do sonho de Deus, produziram avanços e progresso!

Então o Papa recomendou-lhes três atitudes válidas para o seu compromisso: a coragem de romper os esquemas, a atenção aos mais fracos e a promoção da legalidade.

“Primeiro: ter a coragem de romper com os moldes e abrir-se, no diálogo, para novos caminhos. Em uma época marcada em vários níveis por conflitos e divisões, não percamos de vista o que ainda pode ser feito para inverter a rota”.

Contra abordagens rígidas que separam, continuou o Papa: cultivemos, com o coração aberto, o confronto e a escuta, sem excluir ninguém, nos níveis político, social e religioso, para que a contribuição de cada um possa, em sua peculiaridade concreta, ser acolhida positivamente nos processos de mudança aos quais nosso futuro está ligado.

“Em segundo lugar, atenção aos mais fracos. A medida de uma civilização pode ser vista pela forma como os mais vulneráveis são tratados. Não nos esqueçamos de que as grandes ditaduras, pensemos no nazismo, descartaram os vulneráveis, mataram-nos, descartaram-nos e uma civilização se vê, pela forma como os mais vulneráveis são tratados: os pobres, os desempregados, os sem-teto, os imigrantes, os explorados e todos aqueles que a cultura do descarte transforma em lixo. E essa é uma das piores coisas.

Uma política, reafirmou: que esteja realmente a serviço do homem não pode se deixar ditar pelos mecanismos financeiros e de mercado.

A solidariedade, afirmou ainda o Papa, além de ser uma virtude moral, é uma exigência de justiça, que requer a correção das distorções e a purificação das intenções de sistemas injustos, inclusive por meio de mudanças radicais de perspectiva no compartilhamento de desafios e recursos entre pessoas e povos.

Então o Papa Francisco disse que, aquele que se dedica a esse campo, ele gosta de chamar de “poeta social”, porque poesia é criatividade, e aqui se trata de colocar a criatividade a serviço da sociedade, para que ela possa ser mais humana e fraterna.

“Não tenham medo da poesia, disse: a poesia também é criatividade. Não vamos nos esquecer dessa capacidade de sonhar”.

Por fim, a legalidade. O que dissemos até agora, sublinhou Francisco, implica um compromisso de combater o flagelo da corrupção, o flagelo do abuso de poder e a ilegalidade. “Somente com honestidade é possível estabelecer relacionamentos saudáveis e cooperar com confiança e eficácia na construção de um futuro melhor”.


Silvonei José – Vatican News

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