Quase 18 mil voluntários trabalharam para a visita de Leão XIV à cidade de Madri durante estes quatro dias e, do Pontífice, veio o agradecimento pela dedicação e gratuidade em fazer o bem que “faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual da sociedade”. Em um mundo “influenciado pela lógica do interesse, do lucro”, disse o Papa, a lógica mais verdadeira é pensar e agir segundo o Evangelho, com “o amor de Deus que move os corações daqueles que encontraram o Senhor Jesus”.
O Papa Leão XIV foi até o Pavilhão 3 do Parque de Exposições da IFEMA, em Madri, na manhã desta terça-feira (09/06) para o último compromisso oficial dos quatro dias na capital espanhola. O espaço com 13 pavilhões, tradicionalmente ocupado para feiras e congressos, recebeu milhares de voluntários que, como comentou o Pontífice, desde que foram comunicados da visita apostólica, deram uma “resposta entusiasta” ao apelo da arquidiocese local para “viver verdadeiramente uma experiência de Igreja missionária e em comunhão”, como declarou o cardeal José Cobo Cano, arcebispo de Madri. O purpurado enalteceu a presença do voluntariado que, sem buscar reconhecimento, sem querer aparecer nos telões, usou do amor escondido “em meio a um mundo cansado de divisões e de barulho” o milagre “do encontro, do acolhimento e da comunhão” em caminhos de fraternidade que agora continuarão a ser percorridos como diocese, “sendo ‘mais povo’ graças” à passagem de Leão XIV, que logo no início do discurso fez o seu agradecimento:
“Este encontro é o último da parte madrilenha da minha Viagem Apostólica, mas estou muito contente que seja com vocês, voluntários e voluntárias, cada um de vocês e muitos outros que não puderam estar aqui nesta manhã. Vocês merecem um ‘obrigado’ muito especial, porque ofereceram a presença e o serviço de vocês, e o fizeram por amor ao Senhor, à Igreja e ao Papa. Obrigado de coração!”
O fermento da gratuidade
O Pontífice, ouviu o testemunho de dois dos quase 18 mil voluntários: de Mercedes Rodríguez Loeb, que disse ter descoberto na Igreja a sua Mãe e no voluntariado uma escola de humildade; e também de Nuño Adam Castrillo, pai de 8 filhos que nunca esperou nada em troca com o voluntariado, mas uma certeza silenciosa de estar fazendo a coisa certa. Orgulhoso, ele contou que todos presentes disseram sim, não com aquilo que sobra na rotina diária, um pouco de tempo livre, algum dinheiro, mas com o melhor deles próprios, através inclusive dos talentos de cada um.
Novamente em uma atmosfera alegre e entusiasta típica de estádio de futebol, os voluntários receberam a gratidão de Leão XIV por terem tirado férias do trabalho para ajudar, pela dedicação de meses para dar o que podiam à visita apostólica entre “coração, mãos, ideias, competências, sorrisos. Que Deus os recompense como só Ele sabe fazer”, disse o Papa ao compartilhar uma reflexão simples e resumida assim: “os cristãos são chamados a levar ao mundo o fermento da gratuidade”, através da parábola sobre o Reino dos Céus, relatada pelo evangelista Mateus (Mt 13,33). Uma experiência de gratuidade, continuou o Pontífice, que se vê em Madri, mas também com irmãos em vários outros lugares, como também foi no Jubileu da Esperança em Roma:
“A gratuidade é um fermento que faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual de uma sociedade, porque, poderíamos dizer, é uma característica típica da ‘cidade de Deus’. Ainda mais em um mundo continuamente influenciado pela lógica do interesse, do lucro, onde o termo ‘crescimento’ é reduzido à dimensão econômica financeira, há necessidade de pensar e de viver segundo a lógica mais verdadeira, ou seja, a de um crescimento humano integral.”
Mais feliz em dar do que em receber
Um fermento da gratuidade apresentado por Jesus, disse o Papa, que misturado à humanidade ferida ajuda a curar. Leão XIV exortou à buscá-la através da oração, mas também por “um estilo de vida, de um modo de pensar e de agir que é o do Evangelho”.
“Uma característica essencial desse estilo é a gratuidade que vocês demonstraram nestes últimos dias aqui em Madri. Obrigado! Obrigado! Talvez as estatísticas não registrem, mas sabemos que, nestes dias, também graças a vocês, esta cidade cresceu e está mais próxima do Reino de Deus. Mérito nosso? Não! Tudo é graça Dele! Este é o segredo: o amor de Deus, que move o sol e os astros e move os corações daqueles que encontraram o «Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais felicidade em dar, do que em receber!’».”
A bênção das primeiras pedras
Para fechar o encontro com os voluntários e confirmar que, apesar da partida, a presença e o impacto de Leão XIV permanecerão no futuro, o arcebispo de Madri pediu, como último ato, a bênção das 18 primeiras pedras das paróquias que a província eclesiástica construirá nos próximos anos. Em seguida, o Papa seguiu para o aeroporto de onde viaja para Barcelona para dar seguimento à viagem apostólica na Espanha.
Andressa Collet – Vatican News
Imagem: Papa aos quase 18 mil voluntários (@Vatican Media)