Seja bem-vindo(a) em nosso site oficial . Itabira (MG), 02 de setembro de 2026

02/09 Notícias em Geral Papa: a Igreja não pode permanecer passiva nem indiferente ao que acontece no mundo
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Após a Sacrosanctum Concilium, agora é a vez da Constituição Pastoral Gaudium et Spes ser aprofundada pelo Papa Leão XIV em seu ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. O texto trata da relação da Igreja com o mundo contemporâneo, buscando “responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida”.

A Audiência Geral desta quarta-feira voltou para a Praça São Pedro, depois de quatro semanas sendo realizada na Basílica Vaticana. Diante de cerca de 15 mil fiéis, Leão XIV introduziu um novo documento do Concílio Vaticano II, a Constituição Pastoral Gaudium et spes.

O texto aprofunda um tema fundamental, que é a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, reconhecendo “uma nova ordem de relações humanas”, como definiu São João XXIII. A Constituição Conciliar Gaudium et spes começa por declarar que a Igreja sente como suas “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” (GS 1).

“Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja”, afirmou Leão XIV.

“É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”

A ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz

Os fiéis são então chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, “sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência”. Nesse sentido, acrescentou o Pontífice, a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, nessa mesma perspectiva, a Gaudium et spes recorda o «dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (GS 4).

Esta Constituição conciliar, portanto, exortou a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo. Como exemplo, o Papa citou o progresso científico e tecnológico que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns; ou ainda, uma maior disponibilidade de riquezas desproporcionamente distribuídas; ou ainda, diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, a incapacidade de renunciar ao consumo egoísta e à ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz.

A Igreja é chamada a servir o ser humano

Assim, concluiu Leão XIV, numa época de profundas mudanças, “das quais decorrem desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)”. 

“Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança, gaudium et spes, sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo.”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Imagem: Papa se entretém com os fiéis – Audiência Geral  (@VATICAN MEDIA)