Toda violação da dignidade humana ofende a Deus

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

Na semana nacional em defesa da vida, a Igreja celebra, no dia 8 de outubro, o Dia do Nascituro, este ano, 2022, com o lema: “toda violação da dignidade humana ofende a Deus”. Trata-se de desenvolver uma verdadeira pedagogia que eduque para uma cultura de defesa da vida, acompanhando não só o ciclo da vida humana desde a concepção, até a sua morte natural, mas denunciando toda violação à dignidade humana quer seja nas pessoas, famílias ou povos. 

Não podemos ficar limitados a uma agenda política oportunista, que só parece incriminar o aborto, esquecendo muitas vezes das suas causas, mas também da cultura da morte expressa na exploração e abuso infantil e de vulneráveis, tortura e tráfico de pessoas, discriminação e violência contra mulheres, negros, nordestinos, homossexuais, genocídio de tribos indígenas, fome e insegurança alimentar.  

Tudo isso significa ofensa contra vida e leva à morte severina, precoce, e à mistanásia, por falta de atendimento, leitos, vacinas ou remédios. Tudo isto não pode induzir-nos em nenhum momento a relativizar o que já Gandhi falava de holocausto silencioso, o aborto provocado, que ceifa milhões de vidas humanas. 

Mas, como nos ensinava Anna Arendt, a banalização da violência leva sem dúvida a dessacralizar a vida, a tirar-lhe o valor absoluto que tem e para evitar o genocídio herodiano de inocentes não nascidos, devemos ser coerentes e consequentes em afirmar que toda vida importa, e merece ser respeitada e venerada.  

Ser cristãos é, antes de mais nada, cultuar e adorar o Deus e Senhor da vida, que protege, cuida e ama infinitamente a cada ser humano como filho/a e a toda criatura que habita na Casa Comum, nossa missão é testemunhar esse amor misericordioso, fecundo, compassivo e cheio de luz e ternura. Deus seja louvado! 

Fonte: CNBB

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