Seja bem-vindo(a) em nosso site oficial . Itabira (MG), 06 de abril de 2026

06/04 Notícias da Paróquia Cristo Jesus: da escuridão da morte à luz da vida eterna
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A escuridão é parte do primeiro ato da Vigília Pascal, mas nem todo católico se apercebe disso.

Estamos tão focados na bênção do fogo novo, que muitas vezes deixamos de perceber que além do silêncio, iniciado na Quinta-feira Santa, consumado na Sexta da Paixão e alimentado até a noite da Mãe das Vigílias, paira sobre todos nós a escuridão:

“Desde a hora sexta até a hora nona, houve treva em toda a terra. Por volta da hora nona, Jesus deu um grito: ‘Eli, Eli, lamá sabachtháni?’, isto é, “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mt 27,45s) E um pouco mais adiante, escreve o apóstolo: “Jesus, porém, tornando a dar um grande grito, entregou o espírito” (Mt 27,50).

A riqueza e a beleza da Igreja Católica também estão nos detalhes. Não à toa, portanto, o primeiro ato da Vigília é a Liturgia da Luz. Na Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde, essa parte começou no centro comunitário. Todos os anos, celebramos este momento. Mas, você já parou para pensar nos sinais que ele transmite?

Jesus é o fogo que varre a sujeira do mundo, ou seja, varre o meu, o seu, o nosso pecado. É o Fogo Novo! Aceso todos os anos na vigília da Páscoa. E é deste fogo que sai a chama usada para acender o Círio Pascal. Aquela vela linda, que carrega duas letras do alfabeto grego: Alfa e Ômega, para nos relembrar que Cristo é Princípio e Fim, mas, sobretudo, é Luz. A luz que se derrama sobre todos nós, todos os dias, até o final dos tempos.

É esta luz que seguimos em procissão, para encontrar um templo ainda mergulhado no escuro. Com a passagem do Círio, a Matriz, antes silenciosa e com as luzes apagadas, é iluminada por uma centena de velas.

O Círio passa, não raro o coração dispara, a gente sabe o que ele representa. Esta é uma realidade irretocável: a luz varreu as trevas. Aquele Cristo, morto na cruz, desceu à mansão dos mortos, resgatou os que vieram antes Dele e, antes de retornar ao Pai, retornou aos seus: ressuscitado!

Celebrar a Vigília Pascal é mergulhar no Mistério

Mergulho nos cobra consciência, cuidado, conhecimento, ação. Ninguém quer se afogar no mar. Antes disso, tal como Pedro, quer caminhar sobre as águas.

Mergulhar é, portanto, conhecer o percurso e aprender com ele. Por isso, a segunda parte da Vigília Pascal é a Liturgia da Palavra.

É provável que você já tenha escutado este versículo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1,14). Pois bem, verbo indicada ação, e a primeira ação da Palavra de Deus registrada na bíblia foi pronunciada na criação do mundo: “Deus disse: ‘Faça-se a luz!’. Deus disse: ‘Faça-se um firmamento…'”.

Ao todo, nesta Santa Missa, passamos por nove leituras. As sete primeiras do Antigo Testamento, começando exatamente pela ação de Deus na história da criação, no livro do Gênesis.

O segundo momento da Liturgia da Palavra acontece após o hino de louvor “Glória a Deus nas alturas”, retomado após o silêncio da Quaresma. Neste momento os santos são descobertos e o presbitério volta a ter a alegria e a beleza a que estamos acostumados a ver em todas as missas.

A carta de São Paulo aos Romanos abre a primeira leitura do Novo Testamento, seguido do “Aleluia”, que também é retomado nesta noite santa após nossa peregrinação quaresmal, e pelo salmo que antecede a proclamação do Evangelho de São Mateus (Ano A).

Liturgia Batismal

É nesta parte da liturgia que todos os batizados renovam as promessas do batismo. É também aqui que toda a comunidade de fé recebe os novos neófitos.

Padre Paulo Marcony abriu a homilia se dirigindo aos catecúmenos, relembrando parte da carta de São Paulo aos Romanos:

“O batismo abre a porta para todos os outros sacramentos. Pelo batismo, nós fomos sepultados com Jesus para uma vida nova. É isso que vai acontecer com os eleitos, que fizeram a caminhada da IVCA. Hoje nós somos peregrinos neste mundo que gera dúvidas, incertezas, que promove injustiças. Mas a nossa confiança está no Senhor! Aqui, nós somos mergulhados no Corpo de Cristo. Esta é outra certeza da nossa fé: se morremos com Cristo, ressuscitaremos com Ele!”

Após um ano de caminhada na Iniciação à Vida de Cristã de Adultos (IVCA), 10 catecúmenos foram batizados e celebraram os sacramentos da Crisma e da Eucaristia, participando pela primeira vez do banquete do Senhor.

Reily Nunes dos Santos também participou do momento celebrativo, mas de uma maneira peculiar.

Aos 16 anos, ele foi batizado em uma igreja de denominação evangélica. Não se sentindo parte daquela comunidade, decidiu se afastar por completo.

Diz o ditado: “Deus escreve certo por linhas tortas”. E o próprio Cristo ainda disse: “Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu não o rejeitarei” (Jo 6,37).

Batizado, Reily já era, mas faltava se deixar acarinhar por Jesus, se aproximar Dele, conhecê-Lo. Foi na Santa Igreja Católica que ele decidiu mergulhar na fé. E o passo a passo ele percorreu na IVCA.

A Matriz Nossa Senhora da Saúde já era parte da rotina dominical de Reily. A esposa, Fernanda Eliza Rodrigues, é católica. Os dois trazem o filho para participar da Santa Missa com as crianças aos domingos: “É uma das igrejas mais bonitas da cidade. Fui muito bem recebido aqui. Fazer essa caminhada me abriu os olhos para muitas coisas errôneas e mal interpretadas que eu ouvia sobre a Igreja Católica” – comentou Reily, que diante de toda a assembleia professou a fé católica.

Na Vigília Pascal, ele celebrou junto com os catecúmenos a Crisma e a Eucaristia.

(Banhados em Cristo, somos uma nova criatura! Somos nascidos de novo! Aleluia!)

A Páscoa

Ao longo de um ano, no mundo inteiro a Igreja celebra várias datas festivas. Há muitos motivos para celebrar. Nenhum deles, no entanto, se compara à Páscoa. Uma Páscoa renovada e atualizada em Cristo, presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia – a Liturgia Eucarística é a parte fundamental das outras quatro que compõem a Vigília Pascal.

“No jardim do Éden havia uma árvore, cujo fruto, a partir da desobediência, resultou em pecado. Nós temos uma nova árvore, que brotou do Calvário, que veio do ventre da Santíssima Mãe Maria: Jesus. Em Cristo, fomos resgatados da morte” – Padre Paulo Marcony.

(Sobre a Páscoa: enterraram uma semente. Ela brotou e deu frutos que não cessarão de ser colhidos – até que Ele volte!)

Liliene Dante