Na Audiência Geral desta quarta-feira (4/11), Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. Desta vez, refletiu sobre a vida econômica, social e política à luz da Constituição pastoral Gaudium et spes. O Pontífice destacou a dignidade do trabalho, a necessidade de combater as desigualdades e a responsabilidade da política na construção da paz.
A economia e a política devem estar a serviço da dignidade humana, do bem comum e da paz. Essa foi a mensagem central da catequese do Papa Leão XIV durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de novembro, realizada na Praça São Pedro.
Na ocasião, o Pontífice refletiu sobre os capítulos III e IV da segunda parte da Constituição pastoral Gaudium et spes, dedicados à vida econômico-social e à comunidade política.
O Papa recordou aos milhares de fiéis presentes que a dimensão social faz parte da própria natureza humana e da fé cristã. Nesse contexto, alertou para os riscos que um desenvolvimento econômico injusto, marcado pelas desigualdades e pelo desrespeito à criação, representa para a paz mundial.
Segundo Leão XIV, para transformar essa realidade, não basta o progresso técnico. São necessárias reformas econômicas e sociais, acompanhadas de uma mudança de mentalidade e de hábitos.
O desenvolvimento econômico, ressaltou o Santo Padre, deve estar sempre a serviço do ser humano. Esse princípio fundamenta o conceito de desenvolvimento integral, aprofundado por São Paulo VI na encíclica Populorum progressio, publicada em 1967.
O Pontífice também destacou a atualidade do apelo do Concílio Vaticano II para eliminar as discriminações que atingem os grupos sociais mais vulneráveis e os migrantes.
Leia a catequese do Papa na íntegra:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2026/documents/20261104-udienza-generale.html
O trabalho no centro da economia
Ao abordar a dignidade do trabalho, o Santo Padre ressaltou sua importância para a realização pessoal, o sustento das famílias e a participação na sociedade. O trabalho, explicou, também representa uma forma de colaborar com a obra do Criador:
“O coração da economia é o trabalho. Através dele, o homem desenvolve-se como pessoa, satisfaz as necessidades da família, expressa o seu talento, participa na vida social e constrói um mundo melhor, colaborando na obra criadora de Deus.”
Nesse sentido, o Papa condenou o desemprego, a exploração e as condições de trabalho que colocam em risco a saúde e a vida das pessoas. Destacou, ainda, o direito dos trabalhadores de participar das decisões relacionadas às suas atividades, bem como a importância do diálogo e de ações não violentas na resolução dos conflitos.
Leão XIV recordou também o princípio da destinação universal dos bens, segundo o qual as decisões econômicas e financeiras devem assegurar condições dignas de vida para todos, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.
A política a serviço do bem comum
Na segunda parte da reflexão, o Pontífice voltou sua atenção para a responsabilidade da comunidade política na defesa dos direitos humanos e na promoção do bem comum.
Recordou que o exercício da autoridade deve considerar não apenas os interesses particulares, mas também o bem de toda a família humana.
O Papa reafirmou a autonomia e a independência da Igreja e da comunidade política em seus respectivos âmbitos, ressaltando, entretanto, a importância de uma cooperação saudável entre ambas, sempre a serviço das pessoas.
Construir a paz e oferecer esperança
Ao concluir a catequese, Leão XIV ressaltou que o compromisso com uma economia justa e uma política orientada para o bem comum constitui um caminho concreto para a construção da paz.
Nesse contexto, citou a encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco, que recorda as consequências devastadoras da guerra para a humanidade:
“A guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal.”
Em contraposição à violência, o Santo Padre destacou que uma política capaz de cuidar das feridas dos povos e daqueles que sofrem injustiças é fonte de esperança para o futuro da humanidade.
Por fim, encorajou os jovens a seguirem o exemplo de homens e mulheres que deram testemunho de compromisso e responsabilidade nos campos econômico e político. Renovou também seu apelo às comunidades cristãs para fortalecerem a formação na Doutrina Social da Igreja.
Thulio Fonseca – Vatican News
Imagem: Vatican Media