No Ângelus rezado na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, Leão XIV alertou para os riscos de um mercado que “altera o paladar” e não sacia, exortou a deixar-se surpreender com o encontro com Jesus, “o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos”. Recordou que “Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado”.
O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus deste domingo (26/07) da Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, onde permanece até segunda-feira, 27 de julho, para um período de descanso de verão.
Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice ressaltou que “no centro do ensinamento de Jesus está o mistério do Reino de Deus, que o Evangelho” deste domingo “compara a uma pérola e a um tesouro”.
De acordo com Leão XIV, “as parábolas dão a entender a surpresa de quem encontra algo que nem sequer podia esperar, a tal ponto que vender ou deixar tudo já não aparece como uma renúncia, mas sim como um ganho”. Segundo o Papa, “os evangelistas, desde as primeiras páginas, descrevem como irresistível o chamado de Jesus a segui-lo: livre, certamente, mas urgente e capaz de suscitar uma resposta imediata e movida pelo desejo”.
“Este é um primeiro e importante aspecto do modo como Deus está próximo e se deixa encontrar: o encontro com o seu Reino é uma reviravolta que não restringe, mas alarga a vida. Se algo tem agora de mudar, é para trazer mais possibilidades, não menos.”
O Papa citou “um segundo aspecto ao qual Jesus parece dar muita importância: quem encontra o tesouro escondido no campo é provavelmente um agricultor; a pérola, por sua vez, é reconhecida como sendo de grande valor por um negociante, talvez um viajante”. “Seguem-se outras duas parábolas, nas quais os protagonistas são pescadores e um escriba entendido em coisas antigas e novas. Existem outras, ainda, em que o Reino se deixa vislumbrar numa mulher que amassa a farinha, noutra que arruma a casa, num rei que prepara a guerra, num homem que projeta construir uma torre, em administradores que gerem pagamentos ou investimentos, em pastores e agricultores. O Reino de Deus, em suma, revela a sua beleza inestimável de diversas formas, mas chama todos, homens e mulheres, jovens e idosos, pobres e ricos, a uma profunda renovação. Todos podem compreendê-lo e são atraídos por ele”, disse o Papa Leão, acrescentando:
“Também hoje a Igreja é uma comunhão de pessoas diferentes quanto à sua origem, à cultura, às competências e ao nível de responsabilidade, mas todas chamadas a reconhecerem-se como “um” em Jesus Cristo: é Ele o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos. Com efeito, desde o princípio, Jesus chamou e reuniu em torno de si pessoas que, de outro modo, nunca se teriam relacionado. Precisamente assim demonstrou que Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado.”
De acordo com o Pontífice, “só nos resta pedir um dom, o mesmo que o jovem rei Salomão invocou. É o dom de distinguir a pérola de grande valor, de saber reconhecer o tesouro pelo qual vale a pena vender tudo”.
“Enquanto a indústria do consumo nos altera o paladar, suscitando sempre novas necessidades para depois nos vender respostas que não saciam e, por vezes, envenenam o coração, temos de aprender a perceber o que realmente importa, o tesouro da relação com Deus, que nos abre à alegria e ajuda a viver da melhor maneira as relações entre nós.”
Leão XIV concluiu, pedindo a Maria, Sede da Sabedoria, para que “oriente para Jesus o nosso desejo de vida, a fim de que se realize em plenitude”.
Mariangela Jaguraba – Vatican News