Formação para o Clero debate planejamento pastoral

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No foco das ações: o povo que sofre.

 

Nesta segunda formação do ano, o clero diocesano, reunido no Recanto das Mangabeiras, em Coronel Fabriciano, reflete sobre o tema “Planejamento Pastoral”, com a assessoria do teólogo e biblista Sandro Gallazzi.

 

Gallazzi trabalha no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) e percorre o Brasil e o mundo com suas reflexões, a partir da Bíblia, sobre a realidade vivida pelo homem moderno.

 

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O estudo do teólogo parte do Concílio Ecumênico Vaticano II e destaca as constituições do Concílio que transformaram e solidificaram a Doutrina Católica Apostólica. O trabalho foi desenvolvido a partir da estrutura de Organização da Igreja; seus Ritos, como se celebra; e a Moral, como se vive. Tudo isso contextualizado a partir da realidade brasileira, desde a década de 1960 até os dias atuais.

 

O estudo ressalta a importância dos movimentos populares no Brasil surgido, em boa parte, dentro das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs); como eles foram responsáveis pelo fortalecimento das comunidades, ganharam o apoio dos bispos brasileiros e se tornaram o meio propício para o surgimento de várias lideranças, inclusive políticas.

 

Sandro Gallazzi amplia os estudos e estende o foco para a pessoa de Jesus Cristo. Parte do referencial de que “Jesus Vive no Meio de Nós”, morreu, ressuscitou e, para sempre, está no meio do seu povo, caminhando conosco e nos indicando a sua presença através dos “Sinais”. Estes, muito presentes na Bíblia, continuam a ser presença na vida das comunidades. No entanto, para melhor reconhecermos os ‘sinais’ nos dias de hoje é necessário que nos perguntemos: Por que Jesus morreu por nós? Por que Ele foi condenado à Morte e de Cruz?

 

As respostas para essas indagações foram buscadas nas quatro narrativas do Evangelho: Mateus, Marcos, Lucas e João. Neles é possível identificar claramente a postura de Jesus diante da forma como a sociedade daquele tempo se organizava, sobretudo em relação ao culto e as leis que favoreciam notavelmente os Doutores e Fariseus com o grupo do Templo de Jerusalém. Esse modelo de organização demonstrava o abismo entre o grupo favorecido e o povo – cada vez mais pobre, doente e, sendo ainda considerado impuro, era também incapaz de prestar e viver o culto ao Deus Javé.

 

Desde o início da sua vida missionária, Jesus revela a força do mal, dos demônios e como a opressão desse mal distanciava o povo da presença de Deus. O Cristo se opõe ao maligno mostrando, a esse mesmo povo, a força libertadora do Pai na cura das enfermidades e expulsão dos demônios. Mais do que isso, Jesus questiona toda a Lei que, ao contrário de revelar a Bondade, era o reflexo das injustiças para com os pequenos.

 

Ao lermos as Sagradas Escrituras devemos encontrar a radiografia da realidade e não apenas fotografias, como imagens estáticas. Esse mesmo Deus que desceu para libertar o seu povo dos egípcios continua sendo Aquele que quer libertar o seu povo hoje. Por isso, é preciso indagar sob a ótica do Pai: quem é o meu povo no hoje da radiografia social? E assim como no Egito, a resposta é clara: o povo que sofre.

 

Deus desceu para libertar o seu povo e continua a fazê-lo através da Igreja que deve reconhecer a presença Libertadora desse Deus nos que sofrem com a falta de emprego, moradia, saúde, educação, transporte, água, comida e outras tantas situações que levam à miséria física e espiritual. Estes devem ser os destinatários primeiros da comunidade cristã.

 

Para que a comunidade alcance o “meu povo que sofre”, é necessário que se organize o trabalho pastoral, com um planejamento que contemple a realidade diocesana, paroquial e comunitária. Através da motivação da fé, o que fundamenta o trabalho é a Palavra e a Presença de Deus. O que Jesus faria com a realidade que temos hoje?

 

Nesta segunda Formação do Clero, reafirmamos o que já está no nosso plano pastoral que tem como prioridades: a Família e a Missão. Também estamos focados nos clamores da juventude, das pastorais sociais e das questões ambientais. No contexto em que vivemos, a Igreja quer ser a voz de Jesus e para isso é necessário uma contínua conversão, sobretudo para não compactuarmos com as injustiças contra os que sofrem, que foram e são os que necessitam dos cuidados de Jesus e das suas testemunhas. Cada batizado é enviado como testemunha do Cristo e deve ser seu sinal para com todos.

 

Com esta formação, esperamos alavancar um planejamento mais eficaz baseado nas diversas realidades das comunidades paroquianas, evidenciando, neste contexto, os prediletos do Senhor. Assim, juntos, caminharemos na construção “da autêntica comunidade de Jesus”.

 

Pe. Flávio Assis

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No foco das ações: o povo que sofre.

 

Nesta segunda formação do ano, o clero diocesano, reunido no Recanto das Mangabeiras, em Coronel Fabriciano, reflete sobre o tema “Planejamento Pastoral”, com a assessoria do teólogo e biblista Sandro Gallazzi.

 

Gallazzi trabalha no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) e percorre o Brasil e o mundo com suas reflexões, a partir da Bíblia, sobre a realidade vivida pelo homem moderno.

 

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O estudo do teólogo parte do Concílio Ecumênico Vaticano II e destaca as constituições do Concílio que transformaram e solidificaram a Doutrina Católica Apostólica. O trabalho foi desenvolvido a partir da estrutura de Organização da Igreja; seus Ritos, como se celebra; e a Moral, como se vive. Tudo isso contextualizado a partir da realidade brasileira, desde a década de 1960 até os dias atuais.

 

O estudo ressalta a importância dos movimentos populares no Brasil surgido, em boa parte, dentro das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs); como eles foram responsáveis pelo fortalecimento das comunidades, ganharam o apoio dos bispos brasileiros e se tornaram o meio propício para o surgimento de várias lideranças, inclusive políticas.

 

Sandro Gallazzi amplia os estudos e estende o foco para a pessoa de Jesus Cristo. Parte do referencial de que “Jesus Vive no Meio de Nós”, morreu, ressuscitou e, para sempre, está no meio do seu povo, caminhando conosco e nos indicando a sua presença através dos “Sinais”. Estes, muito presentes na Bíblia, continuam a ser presença na vida das comunidades. No entanto, para melhor reconhecermos os ‘sinais’ nos dias de hoje é necessário que nos perguntemos: Por que Jesus morreu por nós? Por que Ele foi condenado à Morte e de Cruz?

 

As respostas para essas indagações foram buscadas nas quatro narrativas do Evangelho: Mateus, Marcos, Lucas e João. Neles é possível identificar claramente a postura de Jesus diante da forma como a sociedade daquele tempo se organizava, sobretudo em relação ao culto e as leis que favoreciam notavelmente os Doutores e Fariseus com o grupo do Templo de Jerusalém. Esse modelo de organização demonstrava o abismo entre o grupo favorecido e o povo – cada vez mais pobre, doente e, sendo ainda considerado impuro, era também incapaz de prestar e viver o culto ao Deus Javé.

 

Desde o início da sua vida missionária, Jesus revela a força do mal, dos demônios e como a opressão desse mal distanciava o povo da presença de Deus. O Cristo se opõe ao maligno mostrando, a esse mesmo povo, a força libertadora do Pai na cura das enfermidades e expulsão dos demônios. Mais do que isso, Jesus questiona toda a Lei que, ao contrário de revelar a Bondade, era o reflexo das injustiças para com os pequenos.

 

Ao lermos as Sagradas Escrituras devemos encontrar a radiografia da realidade e não apenas fotografias, como imagens estáticas. Esse mesmo Deus que desceu para libertar o seu povo dos egípcios continua sendo Aquele que quer libertar o seu povo hoje. Por isso, é preciso indagar sob a ótica do Pai: quem é o meu povo no hoje da radiografia social? E assim como no Egito, a resposta é clara: o povo que sofre.

 

Deus desceu para libertar o seu povo e continua a fazê-lo através da Igreja que deve reconhecer a presença Libertadora desse Deus nos que sofrem com a falta de emprego, moradia, saúde, educação, transporte, água, comida e outras tantas situações que levam à miséria física e espiritual. Estes devem ser os destinatários primeiros da comunidade cristã.

 

Para que a comunidade alcance o “meu povo que sofre”, é necessário que se organize o trabalho pastoral, com um planejamento que contemple a realidade diocesana, paroquial e comunitária. Através da motivação da fé, o que fundamenta o trabalho é a Palavra e a Presença de Deus. O que Jesus faria com a realidade que temos hoje?

 

Nesta segunda Formação do Clero, reafirmamos o que já está no nosso plano pastoral que tem como prioridades: a Família e a Missão. Também estamos focados nos clamores da juventude, das pastorais sociais e das questões ambientais. No contexto em que vivemos, a Igreja quer ser a voz de Jesus e para isso é necessário uma contínua conversão, sobretudo para não compactuarmos com as injustiças contra os que sofrem, que foram e são os que necessitam dos cuidados de Jesus e das suas testemunhas. Cada batizado é enviado como testemunha do Cristo e deve ser seu sinal para com todos.

 

Com esta formação, esperamos alavancar um planejamento mais eficaz baseado nas diversas realidades das comunidades paroquianas, evidenciando, neste contexto, os prediletos do Senhor. Assim, juntos, caminharemos na construção “da autêntica comunidade de Jesus”.

 

Pe. Flávio Assis

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