Dia do pobre: não discursos, mas atitudes!

Publicado em: 19-11-18


Em 2017, o papa Francisco instituiu o Dia Mundial do Pobre, a ser celebrado sempre no domingo antes da Festa de Cristo Rei. Para este ano, Francisco escolheu como tema uma frase do salmo 34: “Este pobre gritou por socorro e o Senhor o ouviu, libertou-o de suas angústias”. Aparecem aqui três verbos: gritar, responder e libertar. É um convite a ouvir o grito dos que sofrem, responder com atitudes concretas, lutar pela libertação integral de todos. “Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade”, diz o Papa (EG 187).

 


Por que razões devemos assumir essa opção pelos pobres? São muitas.
A primeira vem do coração. É fruto do sentimento de compaixão. Eu me importo com o outro. A segunda vem do próprio Deus, que sempre esteve do lado dos pobres. É o que encontramos tantas vezes na Bíblia Sagrada: “Eu vi, eu vi a aflição do meu povo. Eu ouvi o seu clamor. Eu conheço a sua aflição. Eu desci para libertá-lo” (Ex 3,7-8). “Ai daqueles que prejudicam o pobre e o fraco!” (cf. Is 10,1). “Quem oprime o pobre insulta seu Criador” (Pr 14,31).

 


A terceira razão é o próprio Jesus, que viveu e morreu pobre. É de família humilde, deixou tudo, não tinha onde reclinar a cabeça, foi para o meio dos pobres e excluídos, morreu sem nada. Assim começa a sua missão. “O Espírito do Senhor me ungiu. Enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres... para libertar os presos...” (Lc 4,18). “Bem-aventurados vós, os pobres” (Lc 6,30). E conclui: “Eu estava com fome, sem roupa, preso...” (cf. Mt 25).

 


Os apóstolos e as primeiras comunidades também fizeram essa opção. Colocavam tudo em comum, de modo que não havia necessitados entre eles (cf. At 2 e 4). Pedro, Tiago e João recomendam a Paulo, quando o enviam em missão, somente que ele se lembrasse dos pobres (cf. Gl 2,10).

 


Outra inspiração vem da Mãe de Jesus. Maria assume o compromisso com Deus de lutar para derrubar os poderosos dos seus tronos e elevar os humildes, saciar os famintos e despedir ricos de mãos vazias (Lc 1,52-53). Manifestando-se em Aparecida e Guadalupe, mostra o rosto materno de Deus que se faz solidário com os negros e com os índios, então escravizados e dizimados.

 


Mas essa opção não dá naquela forma de caridade que humilha, que passa a impressão de que somos superiores. Como quem olha de cima. O pobre tem a mesma dignidade e é também protagonista. Tem uma riqueza imensa a nos oferecer. Muitos valores a nos ensinar. Precisa ser reconhecido na sua dignidade e grandeza.

 


De fato, há muitas formas de amar os pobres, como há também vários tipos de pobreza. Existe o pobre no sentido mais material, quando lhe falta o mínimo necessário a uma vida digna: comida, roupa, casa, acesso à saúde e educação... Nestes casos, precisa de ajuda material urgente. O pobre no sentido mais social é a pessoa que é empobrecida por causa da injustiça social, da exploração. Exige a nossa luta por justiça, por respeito, pela inclusão. Há também uma pobreza no sentido de ascese, ligada à espiritualidade, quando a pessoa, mesmo tendo recursos, opta por ter apenas o necessário para uma vida digna. Vive de maneira sóbria, simples, desapegada. Sabe partilhar, supera o apego e qualquer ambição. O que é seu pertence também a quem precisa mais. É a pobreza evangélica, proposta por Jesus a todos(as) que o seguem. Em tudo isso, o que conta não é a reflexão ou o discurso, mas as atitudes, o jeito de ser.

 


*Pe. José Antonio de Oliveira

(Pároco – Paróquia São João Batista em Barão de Cocais/ Arquidiocese de Mariana)

 

Foto: Carta Capital

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Testando quantidade de cadastro

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Dia do pobre: não discursos, mas atitudes!

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O amor acima de tudo e todos

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"Somos caminheiros"

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O mundo necessita de princípios que favoreçam o diálogo


Dia do pobre: não discursos, mas atitudes!



Publicado em: 19-11-18


Em 2017, o papa Francisco instituiu o Dia Mundial do Pobre, a ser celebrado sempre no domingo antes da Festa de Cristo Rei. Para este ano, Francisco escolheu como tema uma frase do salmo 34: “Este pobre gritou por socorro e o Senhor o ouviu, libertou-o de suas angústias”. Aparecem aqui três verbos: gritar, responder e libertar. É um convite a ouvir o grito dos que sofrem, responder com atitudes concretas, lutar pela libertação integral de todos. “Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade”, diz o Papa (EG 187).

 


Por que razões devemos assumir essa opção pelos pobres? São muitas.
A primeira vem do coração. É fruto do sentimento de compaixão. Eu me importo com o outro. A segunda vem do próprio Deus, que sempre esteve do lado dos pobres. É o que encontramos tantas vezes na Bíblia Sagrada: “Eu vi, eu vi a aflição do meu povo. Eu ouvi o seu clamor. Eu conheço a sua aflição. Eu desci para libertá-lo” (Ex 3,7-8). “Ai daqueles que prejudicam o pobre e o fraco!” (cf. Is 10,1). “Quem oprime o pobre insulta seu Criador” (Pr 14,31).

 


A terceira razão é o próprio Jesus, que viveu e morreu pobre. É de família humilde, deixou tudo, não tinha onde reclinar a cabeça, foi para o meio dos pobres e excluídos, morreu sem nada. Assim começa a sua missão. “O Espírito do Senhor me ungiu. Enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres... para libertar os presos...” (Lc 4,18). “Bem-aventurados vós, os pobres” (Lc 6,30). E conclui: “Eu estava com fome, sem roupa, preso...” (cf. Mt 25).

 


Os apóstolos e as primeiras comunidades também fizeram essa opção. Colocavam tudo em comum, de modo que não havia necessitados entre eles (cf. At 2 e 4). Pedro, Tiago e João recomendam a Paulo, quando o enviam em missão, somente que ele se lembrasse dos pobres (cf. Gl 2,10).

 


Outra inspiração vem da Mãe de Jesus. Maria assume o compromisso com Deus de lutar para derrubar os poderosos dos seus tronos e elevar os humildes, saciar os famintos e despedir ricos de mãos vazias (Lc 1,52-53). Manifestando-se em Aparecida e Guadalupe, mostra o rosto materno de Deus que se faz solidário com os negros e com os índios, então escravizados e dizimados.

 


Mas essa opção não dá naquela forma de caridade que humilha, que passa a impressão de que somos superiores. Como quem olha de cima. O pobre tem a mesma dignidade e é também protagonista. Tem uma riqueza imensa a nos oferecer. Muitos valores a nos ensinar. Precisa ser reconhecido na sua dignidade e grandeza.

 


De fato, há muitas formas de amar os pobres, como há também vários tipos de pobreza. Existe o pobre no sentido mais material, quando lhe falta o mínimo necessário a uma vida digna: comida, roupa, casa, acesso à saúde e educação... Nestes casos, precisa de ajuda material urgente. O pobre no sentido mais social é a pessoa que é empobrecida por causa da injustiça social, da exploração. Exige a nossa luta por justiça, por respeito, pela inclusão. Há também uma pobreza no sentido de ascese, ligada à espiritualidade, quando a pessoa, mesmo tendo recursos, opta por ter apenas o necessário para uma vida digna. Vive de maneira sóbria, simples, desapegada. Sabe partilhar, supera o apego e qualquer ambição. O que é seu pertence também a quem precisa mais. É a pobreza evangélica, proposta por Jesus a todos(as) que o seguem. Em tudo isso, o que conta não é a reflexão ou o discurso, mas as atitudes, o jeito de ser.

 


*Pe. José Antonio de Oliveira

(Pároco – Paróquia São João Batista em Barão de Cocais/ Arquidiocese de Mariana)

 

Foto: Carta Capital

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Dia do pobre: não discursos, mas atitudes!

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O amor acima de tudo e todos

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