Os Conselhos Evangélicos - Pobreza, Castidade e Obediência


Os Conselhos Evangélicos têm seus fundamentos nos exemplos de Jesus, na sua vida e conduta. São seguidos por homens e mulheres consagrados, mediante votos que expressam a doação total a Cristo.

 

Neste primeiro artigo, trataremos do voto de obediência.

 

A obediência cristã não significa obediência aos homens, mas a Deus. Pedro e João responderam: “Julguem vocês mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a ele! Quanto a nós, não podemos nos calar diante do que vimos e ouvimos” (At 4, 19s).  Desde o início da sua história, o Cristianismo implica certa obediência. Por isso, pode-se afirmar que a perseguição à Igreja, em nome de diversas ‘obediências’, “pertence à essência do Cristianismo”. A obediência cristã é uma libertação da obediência humana.

 

Podemos ilustrar isso pela evocação de um cristão que operou uma evolução na Igreja em nome de uma obediência superior. Pode parecer inusitado mencioná-lo e expô-lo em sua opção e definição quanto ao assunto. Penso, no entanto, ser necessário citá-lo para que possamos compreender o que é um bom exemplo e distinção de obediência.

 

Refiro-me a Gregório VII (Papa). Ele é conhecido na história da Igreja como aquele que se opôs ao Imperador Henrique IV, em Comosa (1077). Aos olhos dos senhores feudais, ele foi considerado um grande desobediente por ter uma atitude realmente revolucionária.

 

Vários séculos se passaram sob a égide do Cesar papismo no Ocidente, com bispos e abades tendo que conformar-se com as leis impostas pelo sistema feudal. De repente, Gregório VII desobedeceu a todas as Leis e costumes promulgando a liberdade e independência da Igreja diante dos homens e estabelecendo sua única obediência a Deus. Ficamos admirados diante da coragem do Papa e, sobretudo, diante da visão que ele tinha de Deus como o defensor da liberdade do homem. Para o Papa Gregório VII, a Igreja só deveria obedecer os preceitos do Deus Criador. Ele propôs, então, reformar a estrutura eclesial por dentro (lei do celibato, luta contra a simonia, centralização) e por fora (Dialética Igreja-Estado). Em nossa tradição, a memória dele se conserva como a de um homem que soube observar a obediência cristã.

 

Nascida no Oriente, nos primeiros séculos do Cristianismo, e vivida nos Institutos canonicamente erigidos pela Igreja, a vida religiosa se distingue das outras modalidades de vida consagrada pelo aspecto cultual, pela profissão pública dos Conselhos Evangélicos, pela vida fraterna levada em comum, pelo testemunho da união de Cristo com a Igreja.

 

Em suma: reportamos os Conselhos Evangélicos à luz da palavra de Deus, por meio dos textos sagrados (Bíblia). Certificamos os Conselhos Evangélicos também no (CIC) Catecismo da Igreja Católica: “Pobreza, obediência, castidade”[1]. Em sua multiplicidade, são propostos a todo discípulo de Cristo.

 

 

A perfeição da caridade, a qual todos os fiéis são chamados, comporta para aqueles que assumem livremente o chamado à vida consagrada, a obrigação de praticar a pobreza, a castidade e a obediência pelo Reino. É a profissão destes conselhos, um Estado de vida estável reconhecido pela Igreja, que caracteriza a “Vida consagrada”. O Estado da vida consagrada aparece, portanto, como uma das maneiras de conhecer uma sagração mais “íntima”, radicada no Batismo e dedicada totalmente a Deus.  



Pe. Nailson da Silva[2]

 

[1] Os padres diocesanos não fazem os votos de pobreza.

[2] Padre Religioso da Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos (também conhecida no Brasil como Ordem de São Caetano)


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Neste primeiro artigo, trataremos do voto de obediência.

 

A obediência cristã não significa obediência aos homens, mas a Deus. Pedro e João responderam: “Julguem vocês mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a ele! Quanto a nós, não podemos nos calar diante do que vimos e ouvimos” (At 4, 19s).  Desde o início da sua história, o Cristianismo implica certa obediência. Por isso, pode-se afirmar que a perseguição à Igreja, em nome de diversas ‘obediências’, “pertence à essência do Cristianismo”. A obediência cristã é uma libertação da obediência humana.

 

Podemos ilustrar isso pela evocação de um cristão que operou uma evolução na Igreja em nome de uma obediência superior. Pode parecer inusitado mencioná-lo e expô-lo em sua opção e definição quanto ao assunto. Penso, no entanto, ser necessário citá-lo para que possamos compreender o que é um bom exemplo e distinção de obediência.

 

Refiro-me a Gregório VII (Papa). Ele é conhecido na história da Igreja como aquele que se opôs ao Imperador Henrique IV, em Comosa (1077). Aos olhos dos senhores feudais, ele foi considerado um grande desobediente por ter uma atitude realmente revolucionária.

 

Vários séculos se passaram sob a égide do Cesar papismo no Ocidente, com bispos e abades tendo que conformar-se com as leis impostas pelo sistema feudal. De repente, Gregório VII desobedeceu a todas as Leis e costumes promulgando a liberdade e independência da Igreja diante dos homens e estabelecendo sua única obediência a Deus. Ficamos admirados diante da coragem do Papa e, sobretudo, diante da visão que ele tinha de Deus como o defensor da liberdade do homem. Para o Papa Gregório VII, a Igreja só deveria obedecer os preceitos do Deus Criador. Ele propôs, então, reformar a estrutura eclesial por dentro (lei do celibato, luta contra a simonia, centralização) e por fora (Dialética Igreja-Estado). Em nossa tradição, a memória dele se conserva como a de um homem que soube observar a obediência cristã.

 

Nascida no Oriente, nos primeiros séculos do Cristianismo, e vivida nos Institutos canonicamente erigidos pela Igreja, a vida religiosa se distingue das outras modalidades de vida consagrada pelo aspecto cultual, pela profissão pública dos Conselhos Evangélicos, pela vida fraterna levada em comum, pelo testemunho da união de Cristo com a Igreja.

 

Em suma: reportamos os Conselhos Evangélicos à luz da palavra de Deus, por meio dos textos sagrados (Bíblia). Certificamos os Conselhos Evangélicos também no (CIC) Catecismo da Igreja Católica: “Pobreza, obediência, castidade”[1]. Em sua multiplicidade, são propostos a todo discípulo de Cristo.

 

 

A perfeição da caridade, a qual todos os fiéis são chamados, comporta para aqueles que assumem livremente o chamado à vida consagrada, a obrigação de praticar a pobreza, a castidade e a obediência pelo Reino. É a profissão destes conselhos, um Estado de vida estável reconhecido pela Igreja, que caracteriza a “Vida consagrada”. O Estado da vida consagrada aparece, portanto, como uma das maneiras de conhecer uma sagração mais “íntima”, radicada no Batismo e dedicada totalmente a Deus.  



Pe. Nailson da Silva[2]

 

[1] Os padres diocesanos não fazem os votos de pobreza.

[2] Padre Religioso da Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos (também conhecida no Brasil como Ordem de São Caetano)


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